terça-feira, 30 de março de 2010

Lost. De que lado você está?


Por Nilton Rodrigues


Muito já se falou sobre Lost, ou melhor, teclou. Lost é a série do século XXI. Entre twitadas em tempo real à exibição dos episódios, passando por discussões acaloradas em fóruns e blogs, está chegando o fim do maior fenômeno pop da televisão dos últimos tempos. O encerramento da saga dos sobreviventes do voo Oceanic 815 marca também o fim de outro "pequeno" detalhe: a inteligência na telinha.
Quando a série estreou em meados de 2006 aqui no Brasil, ela já veio platinada. Havia sido premiada com o Emmy, o Oscar da TV, além da benção da audiência americana. Mas por aqui muitos viam a série como uma mistura do reality show No Limite com o sucesso estrelado por Tom Hanks, Náufrago. Aos poucos, para quem quis se aventurar na ilha junto com os personagens, Lost se transformou num jogo de mistérios, dramas, tragédias, redenção. Um exercício de raciocínio tão prazeroso onde quem ganha músculos é o seu cérebro. Quem acampanha a série desde o Walkabout de Locke, percebeu que o trama não é sobre um monstro de fumaça, números cabalísticos ou viagens no tempo, mas sim, sobre pessoas e predestinação. É claro que sem os mistérios, Lost seria como sorvete sem calda quente. Sendo assim, numa era em que para ter opinião basta uma conexão, Lost virou o prato cheio para se transformar na série mais participativa de todos os tempos, culpa da sua multitemática, que reune gregos e troianos, do nerd fissurado em referências egípcias e física quântica ao espectador an passant mais interessando com quem Kate vai ficar.
Na atual sexta e última temporada, assim como os protagonistas da série, os fãs parecem estar tomando partido de alguma facção : os que estão no lado de Jacob (ou dos produtores Damon Lindelof e Carlton Cuse, e acreditam que os famigerados flash-sideways não são uma enrolação e, assim como em outros momentos na série, vão somar na narrativa), ou aqueles que seguem o Homem de Preto (ou eternos amargurados, que nunca ficariam felizes com a maneira que as respostas serão dadas, que esperam um final de acordo com as suas expectativas e provavelmente já decretaram o fim da série mesmo faltando metade da temporada). De que lado você está? Eu ainda confio em Jacob até que me provem que o cara é um charlatão.
De qualquer forma, a despedida de Lost da televisão significa tirar o pé do acelerador da criatividade, simples assim. Na realidade, Lost vai é deixar saudades no peito mesmo. Pode parecer bobagem, mas para um maniático como eu, esperar toda terça-feira um novo episódio, comentar com amigos e teorizar sobre tudo já era um ritual, um namoro digital com quase meia década de duração. E como todo relacionamento, quando acaba, dói. Ainda bem que ao contrário das fotos de ex-namoradas, os DVDs ficam na estante sem perigo das atuais rasgarem num acesso de ciúmes (assim esperamos).

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cultura organizacional

Por Nilton Rodrigues


Gosto de traduzir assuntos de uma maneira mais cotidiana. E quando tivemos uma aula sobre cultura organizacinal, minha mania de reciclar assuntos deu um sinal verde e começou a soltar fumaça pedindo para trabalhar.
Imagine uma empresa como uma pessoa. Se a empresa é mais velha,com tradição, é quase certo que ela será como o seu o seu saudoso avô, que achava tudo errado, que tatuagem é coisa de maconheiro, piercing é coisa de mulherzinha e homem de cabelos compridos são gays. Ou se a empresa é velha é tenta soar jovem, ela fica naquele terreno nebuloso entre o constrangedor e o falso. Exemplo: aquele seu tio de 50 anos que de uma hora para outra resolve surfar e falar "uhú, mano". Quem consegue dar credibilidade para ele? E com empresas é mais ou menos assim.
E têm empresas jovens porque são. Simples assim. jovem neste caso não significa falar gírias e se comportar como um débil mental apenas para se enturmar. Ser jovem é ser livre com rédeas levemente soltas. Falei tudo isso porque a cultura de uma organização é orgânica, viva e, (in)felizmente, humana. É um mosaico de experiências pessoais de grupos majoritários, gestores, empresários, estagiários, motoboys, faxineiras, porteiros e até mesmo da mulher do cafezinho.

Crises!

Por Nilton Rodrigues


Crises em empresas são como qualquer crise, principalmente se comparado à crises pessoais, com a única diferença que, nas empresas, uma turma paga o pato e não apenas você. Vamos tomar como exemplo a crise da TAM na época em que parecia que em cada aeronave tinha uma urucupaca. Ou caia matando centenas, ou saia patinando pelas pistas de aeroportos Brasil afora como uma garota bêbada com patins novos. Centenas de empregados, ou o termo menos pejorativo, colaboradores ou eram demitidos ou sofriam com a má gestão da empresa. Era palpável um desconforto e preconceito contra a empresa, que, por ajuda aou não do destino, era sinônimo de tragédia. Mas ao invés de minimizar estes danos, o corpo de gestores da empresa cada vez colocavam a dita cuja mais abaixo (sem analogias baratas). A falta de informações quando familiares das vítimas buscavam respostas, um péssimo atendimento por telefone do marketing da empresa, enfim, uma coletânea desastrosa de como não saber contornar uma crise. E é aí que entra um profissional de vital importância: o porta-voz. É ele que é a empresa em carne, osso e muitas vezez, desculpas esfarrapadas com a maior cara de verdade. Enfim, saber contornar crise não é para qualquer um.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Economizar tempo é viver bem

Por Nilton Rodrigues


Como você administra o seu tempo? Será que não fica tempo demais dentro de um carro, ou arrumando a papelada em cima da sua mesa? Para quem nunca parou para analizar em termos quantitativos o quanto a falta ou a necessidade de algumas horinhas a mais no seu dia são importantes, aconselho a fazê-lo. Nesta citada aula, colocamos no papel todas as nossas atividades diarias, tabulando o quanto gastamos com elas e o quanto gostaríamos de gastar.
Resultado desta matemática? Um sentimento de que estamos dando valor a algumas coisas que não merecem tanta atenção assim. Parece uma resposta lógica, mas por que é tão difícil abandonar alguns hábitos que parecem subtrair na nossa vida? Sinceramente se soubesse esta resposta, mandaria engarrafar e ficaria rico, além de falir a maioria dos spas e clinicas para bem-estar mundo afora. A mudança de paradigma tem que partir de nós, e, se possível,com uma pequena ajudinha das organizações, já que atualmente qualidade de vida está intimamente ligado à quantidade de xingamentos que você recebe quando não resolve aquele problema para o seu chefe o mais rápido possível.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

BRANDING & Zé Mayer

Por Nilton Rodrigues


Numa longinqua quarta-feira, tivemos uma aula sobre branding. Mas se me dão licença, gostaria de falar sobre branding de uma forma diferente, deixando mais próximo daquilo que eu entendo sobre esta estranha palavra. Toda marca deseja ser o José Mayer. Estranho? Nem tanto.
Imagine a massa de consumidores do mundo como uma horda de Helenas, e, como a personagem principal das tramas de Manoel Carlos, ela busca um indivíduo do sexo oposto que supra todas as suas necessidades emocionais, espirituais, sexuais, ou seja, um verdadeiro partidão. Não basta ser Fábio Assunção, Murilo Benício ou Rodrigo Santoro, a bola da vez é o Zé Mayer, afinal, todo mundo fala dele, dizem que ele é o cara, que traça todas e não faz uso do comprimido azul. Sentiram a diferença? O Rodrigo Santoro é mais bonitão que o Zé Mayer, mas DIZEM que o Zézinho encara duas sem tirar. A palavra é moderna, mas o objetivo do branding é mais antigo que andar para trás: seduzir, provocar uma experiência, trabalhar no imaginário aquilo que você quer ser e não aquilo que invariavelmento você é.

RESENHA - Atividade Paranormal


Por Nilton Rodrigues


Pegue um marketing viral, um padrinho como Steven Spielberg e a audiência da geração YouTube. Receita de sucesso? Se o assunto é grana, sim. Com um orçamento medíocre de 15 mil dólares e mais de 100 milhões de dólares arrecadados só nos EUA, o filme já é um fenômeno (!).
Bom, mas vamos ao que interessa: a matemática qualidade x hype. Para começar, é impossível não relacioná-lo à Bruxa de Blair. Mas se naquela época a escalada da vindoura internet proporcionava mais mistério e desencontro de informações sobre a tal fita dos jovens desaparecidos, hoje, com a proliferação de câmeras de celulares, 3D Max e supostos vídeos paranormais na rede mundial de computadores, apaga o brilho de ineditismo para aqueles que tentam fazer de um filme de terror uma ode ao voyerismo sobrenatural. Bom, pelos menos àqueles que não fazem direito o dever de casa.
Além de Atividade Paranormal ser um filme chato em muitos aspectos, principalmente no que diz à primeira meia hora, onde o diretor tenta a todo custo imprimir uma veracidade à vida cotidiana do casal de protagonistas, que resulta numa pífia forma de fazer personagens tridimensionais. Um esforço que se dilui quando o ceticismo do personagem Micah torna-se um artifício barato para tornar a trama mais densa, já que em muitas vezes seus atos conseguem fugir à racionalidade desejada. Outro fator que chama atenção, o que paradoxalmente vai contra a proposta do filme, é a sensação de que você está assistindo a um filme de terror, com as mesmas fórmulas desgastadas do gênero, o que aqui é potencializado, pois toda cena assustadora (e algumas são realmente muito boas) se resume a portas batendo, lençol dançante e lustres balançando. Isso sem contar que o casal nunca pagou a conta de luz, já que em TODOS os momentos de tensão, ninguém se habilita em acender a luz. Sim, Sr. Diretor, veracidade é o seu mantra.
A onda de filmes "reais" trouxe ao cinema de horror o poder de sugestão, a capacidade que a platéia, até mesmo do espectador médio, tem de conjecturar a situação não mostrada. Mas o que acontece em Atividade Paranormal é uma timidez constrangedora em ter um tema tão rico em mãos e relegá-lo a duas ou três cenas assustadoras, o que convenhamos, é muito pouco.
O filme não engrena. Em momentos cruciais, o corte abrupto vem e coloca tudo a perder. Lá aparece a moçoila se lamentando no sofá na manhã seguinte. A sensação de coito interrompido é inevitável.
Atividade Paranormal chegou querendo assustar, mas é só uma fraude. Ah, REC 2, chegue logo...
NOTA: 4

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que você faria?

Por Nilton Rodrigues

Na aula de tópicos especiais, vi um filme espanhol chamado "O que você faria?". A película é uma mistura de Jogos Mortais, Programa Aprendiz e novela mexicana. Bizarro, não? Pois é, mas a essência do filme guarda muito mais do que esta comparação absurda feita por este zoneiro que vos fala. Peguei o filme pela metade, mas o segundo ato do filme já diz para o que veio: uma dura realidade sobre a aspereza do mundo burocrático das empresas. No filme, presenciamos um jogo, onde o vencedor leva o empego dos sonhos. E em meio à disputa, presenciamos todos os tipos: o babaca sem personalidade, a femme fatale do escritório, o manupulador e outros que estamos cansados de encontrar em nosso horário comercial.
Mas o que mais me impressionou é aquilo que já venho repetindo em outros posts sobre esta cadeira de tópicos especiais: a capacidade do ser humano de ser o sujeito mais hipócrita do universo. Não quero entrar em detalhes sobre isso, senão teria que acionar a psicologia, filosofia, sociologia e, principalmente, uma mesa de bar, mas quando o espertalhão ser humano entra em jogo para conseguir seus objetivos, sai da frente, e, se ele estiver usando terno e gravata, nem se fala. E pior, se ele estiver dirigindo uma empresa com algum slogan no gerúndio do tipo fazendo, construindo, a hecatombe da hipocrisia está completa. "O que você faria?" esta longe de ser um bom filme, mas serve para desconstruir o mito das grandes empresas com seus discursos tão vazios quanto a minha conta bancária.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um briefing descolado para quem sabe o que quer


Por Nilton Rodrigues


Criar um blimp e um spot com o BG da trilha do recall que está passando em high-definition na Pay Tv. O blimp tem que ser em vacum forming para que entre em looping na feira de trade. Será feito um match-print antes do deadline final. Afinal, vamos evitar refação e muitos “fuck offs” do cliente.
O blimp será transportado no pallet até o corner perto do display onde estão expostos o broadside, o botton, os sticks e uma série de outros gadjets. Lá estarão muitas bandas de british rock, melodic metal e stupid black satanism folk metal e outras que estão cheias de hype participando do nosso happy hour patrocinado pelos managers do evento. Claro, lá só estarão as bandas mainstream que afirmam ser do underground, afinal, isso é tão in.
E sobre o spot, ele deve deve estar numa tape dentro de um blister para o boy pegar no box da agência. Mas cuidem para não estourar o budget, pois ainda temos que criar o banner, stopper, backlight e outdoor com um apelo mais hard sell sem esquecer o call to action.
Qualquer dúvida, chamem o tradutor ou liguem no meu ramal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Falaram para o Estagiário em Itaipu: “Quando sair, apaga tudo”

Por Nilton Rodrigues


Brincadeiras à parte, a grande máxima do empurra-empurra se confirma: a culpa é do estagiário. Mas no caso do apagão que afetou 88 milhões de pessoas e 17 estados brasileiros, quem é o estagiário, ou se preferir, quem é o saco de pancadas?
A opcão que eu mais gosto é a dos discos voadores. Dizem que que naquela noite uma esquadrilha de naves sobrevoou o céu brasileiro, provocando uma anomalia magnética causando o apagão. Eu acredito em objetos voadores não identificados, mas também acredito em senhores-com-verborragia-barata-bem-identificados.
Basta ligar a Televisão para se deparar com uma sequência épica de empurra-empurra protagonizada pelos lideres estatais, ministros e imprensa. Difícil prever um culpado a esta altura do campeonato, embora o programa Fantástico de ontem (15/11) tenha dado uma explicação tão complexa, que faria Einstein dar um salto duplo twist carpado no caixão.
fatalidades acontecem a todo instante, e na realidade, creio que tenha sido exatamente isto que tenha ocorrido: uma fatalidade de causas naturais. Desgraça mesmo é esta mania brasileira de tentar achar um culpado a todo custo. E até o fechamento desta edição, o estagiário de Itaipu ainda tinha seu emprego.

RESENHA - Gênesis por Robert Crumb


Por Nilton Rodrigues



Sei da importância histórica de Robert Crumb para as HQ`s. Sua arte suja e desproporcional combinava com a marginalidade dos quadrinhos underground em plena época da contra-cultura, lá pelos idos dos anos 60. Mas mesmo assim, confesso que nunca corri atrás de alguma obra do artista, até hoje.
Quando foi alardeado aos quatro ventos que Crumb revisitaria o Gênesis, o Livro da Criacão, respeitando o texto original, logo me interessei, mais pela ousadia em si (acho a bíblia brilhante, liricamente falando) do que pelo nome do autor estampado na capa.
E o resultado final? Bom, quando a criatura vai à livraria comprar o Gênesis em quadrinhos, está na cara que ela busca mais que uma leitura rápida, descartável e, principalmente, fora dos padrões Marvel/Dc que permeiam as bancas.
Gênesis de Robert Crumb precisa ser consumido em doses homeopáticas, sob risco de um AVC, tamanha a densidade e informações que o texto carrega, além de uma linguagem levemente arcaica e laica, afinal, são milhares de anos, nomes, clãs familiares, linhagens, condensados em pouco mais de 200 páginas.
Um dos grandes pontos positivos da obra é a sua capacidade de transpor para os quadrinhos a carga reflexiva e épica dos textos sagrados. Por esta razão, ele deve ser lido como um romance e não como uma leitura de fim de tarde. Se você conseguir entender que Gênesis de Robert Crumb é O Poderoso Chefão dos quadrinhos e não uma mera Sessão da Tarde, já é meio caminho andado.
A arte de Crumb segue a fórmula que o consagrou: mulheres voluptuosas e "atributos" desproporcionais, muitas hachuras, e é claro, sexo. Alías, sexo é o que não falta na obra, impulsionado pelo teor bílblico não exposto claramente nos textos que conhecemos. Mas convenhamos, a depravação está lá, mas nada que justifique os ânimos inflamados dos religiosos e velhinhas carolas mundo afora.
O ponto negativo da obra não vem necessariamente dele, mas sim, do texto original. Haja memória para gravar todos os nomes e compreender a organização das linhagens bíblicas.
Enfim, Gênesis de Robert Crumb é essencial para quem admira bons quadrinhos livres de amarras e padrões. E, não custa nada dizer de novo: consuma com moderação.
NOta: 9

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Jogos Mortais e Lost: tão diferentes e tão iguais

Por Nilton Rodrigues


Antes de mais nada, quem estiver lendo esta resenha já deve ter visto Jogos Mortais VI, e por esta razão não vou falar sobre a trama. Bueno, tão esperado como todo dia 5 de pagamento, é assistir a um novo Jogos Mortais no cinema (pelo menos para mim). Bom, e chegamos a sua edição de número meia dúzia em 5 anos. O que dizer da sexta parte da franquia de horror mais lucrativa da história? Podemos responder a esta questão a partir de três óticas. A do fã, a do espectador gastronômico de cinema e a do crítico.
O primeiro sempre vai achar o filme um primor, tentando a toda prova achar uma argumentação plausível para a megalomaníaca fome de dinheiro das produtoras. O segundo é aquele que conhecemos bem: o moleque que vai ao cinema pra ver um filme “maneiro” e depois posta no orkut todo pimpão: “tá virando palhaçada meu, parece os filme do Jason”, claramente dando mais atenção ao número de filmes produzidos do que a sua qualidade em si. E o terceiro é aquele que precisa estar isento das duas anteriores, categoria a qual tento me incluir (embora fora destas linhas me encaixo mais no primeiro tipo).
O primeiro fato que devemos ter em mente é que Jogos Mortais deixou de ser um filme para se tornar um acontecimento, uma data especial. Sabemos que todo Halloween americano lá vem Jigsaw e sua turma aprontando muitas confusões. E se quer saber, acho isso muito legal desde que, obviamente, não tire o cérebro do espectador para bobinho. E é aí que começamos a análise com a pergunta que não quer calar: “O mundo ainda precisa de mais Jogos Mortais?”
E a resposta é um direto e caixa altístico SIM. Pode ser loucura da minha cabeça, mas comparo a série de filmes a Lost. onde os produtores precisam contar com a entrega do público para que o “jogo” textual proposto tenha sentido, que as respostas se encaixem e para que, principalmente, as fórmulas pré-determinadas da indústria do entretenimento sejam quebradas. Parece estranho falar em quebra de paradigmas da indústria, quando anualmente é lançado um novo filme nos cinemas, sempre rendendo oito a nove vezes o seu custo de produção. Mas é aí que o talento de contar histórias subverte os cofres inflados dos produtores.
Assim como em Lost, a mitologia de Jogos Mortais foi crescendo a cada episódio, acrescentando novos e mirabolantes twists à trama, e incrivelmente nunca perdendo sua qualidade (embora os detratores insistam em provar o contrário). Mas assim como sua prima televisiva, a saga foi perdendo a audiência e o interesse, o que é perfeitamente normal em se tratando da indústria (olha ela aí de novo) e o cansaço do espectador gastronômico. Mas no final das contas, ambas as séries estão aí, anualmente presenteando quem adora uma história bem contada, não interessando que tenha dez, quinze ou vinte episódios.
E é aí que Jogos Mortais cativa. mesmo depois de seis episódios, a história continua com o QI lá em cima, surpreendendo com uma trama, que mesmo com o seu principal personagem morto, eletrizante, dramática, com direito a discursos morais e moralistas, e muita violência gratuita (quem disse que não pode?).
Saw VI segue esta fórmula, mas a julgar pela bilheteria, a saga parece não agradar mais aos americanos (mas mesmo com a metade da arrecadação do longa anteror, já se pagou duplamente). Agora fica a pergunta: será que o próximo testado será o próprio Jigsaw e sua capacidade de sobreviver à baixa bilheteria? Let the game begins.
Ah, Jogos Mortais VI é muito legal.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O mercado de luxo

Por Nilton Rodrigues

Zoneiros, na última quarta-feira, dia 21/10, esse amiguinho que vos fala foi a uma palestra sobre mercado de luxo. Não, este post não se trata sobre o bilionário Bruce Wayne ou o fanfarrão Tony Stark. Mas é quase lá.
Para os pobretões que acessam este blog, comprar um xis galinha com ovo se configura um luxo, mas vocês não imaginam o que realmente é o Luxo, sim, com "L" maiúsculo.
O professor André Arndt discorreu sobre as diferenças da classe C e a classe A, detentora do topo da pirâmide econômica do país. Falar de carros, jóias, bolsas feitas com pelo de porco ou viagens semanais à Europa é carne de vaca quando o assunto é este fascinante mundo do mercado de luxo.
O que mais me impressionou não é o desnível social ou a má distribuição de renda num país de terceiro mundo, mas sim (pode parecer estranho para um debate acadêmico), a fraqueza e a corruptibilidade (não no sentido maquiavélico da palavra, mas modificador) do homem perente o dinheiro. Quer um exemplo? Na Ásia, existem restaurantes requintadíssimos que servem ouro para comer. Eu disse OURO. E convenhamos, quando alguém come ouro, a psique do sujeito está no mínimo abalada. É disso que estou falando. Como profissionais da comunicação, somos obrigados a gerir marcas e fazê-las desejadas, entendendo todo o complexo mecânismo de consumo da sociedade, mas quando chega na parte humana da coisa, meu lado comunicador, muitas vezes, é substituido por aquela criança que tem medo dos adultos e seus hábitos estranhos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O melhor cosplay de Iceman


Por Nilton Rodrigues

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

PODCAST: O verdadeiro jornalismo verdade

Por Nilton Rodrigues


Agora que não precisa mais diploma para ser jornalista, o Zona Fantasma entra no ramo com notícias que não passam pela voz de veludo do Bonner e muito menos pelas olhadelas da Ana Paula Padrão. Relaxe e descubra que a verdade está lá fora (pã pã pã pã pããããã - trilha do arquivo X, mané).


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Jogos Mortais 6 em flash

Por Nilton Rodrigues


Buenas, taí o motion poster em flash de Jogos Mortais 6 que estréia em outubro por aqui. O que eu acho? A saga Jogos Mortais deixou de ser um filme para se tornar um evento anual (o que neste caso é bom).Todos os filmes (até agora) são bacanas e contribuem para a mitologia da série. Vamos esperar outubro e ver Jigsaw aprontando muitas confusões com uma galera que é puro agito!(Sessão da Tarde ON)

domingo, 19 de julho de 2009

Tudo azul nessa segunda-feira

Oh yeah, baby!



sábado, 18 de julho de 2009

Da série putacomonãopenseinissoantes?

Por Matheus Mendes

Na internet volta e meia a gente acha coisas legais, bacanas e putacomonãopenseinissoantes?

Essa Camiseta do Resident Evil é uma desta última.
Que a gente olha e acha do caralho mas ao mesmo tempo fica com aquela invejinha saudável de não ter criado uma dessas.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Anabela, a mestra da matemática

Por Nilton Rodrigues


Pérola, a gaja só precisa dizer um valor do peso do saco maior que 4,5kg. Simples? Não para ela, a Anabela.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Roberto Carlos 50 anos: Lp Roberto Carlos 1971


Por Nilton Rodrigues


Começa aqui uma nova seção desse amaldiçoado blog. Discos que são verdadeiras obras-primas, que talvez o Zoneiro não esteja acostumado, ou até mesmo tenha um certo "pré" conceito, receberão a verdadeira e merecida introdução (no bom sentido) do mestre de cerimônias Zoneiro oficial (eu oras!). Pra começar, um verdadeiro petardo da música brasileira que merece ser ouvido por todos que se interessam por bons decibéis com o selo de qualidade Zona Fantasma.
A primeira obra que gostaria de compartilhar com meus madafacas leitores é talvez o maior clássico, ou no mínimo, o mais inspirado disco do rei Roberto Carlos, o homônimo de 1971.
Após o auge do "iê-iê-iê", a Jovem Guarda já começava a apresentar sinais de desgaste, e os “brotos” já não se interessavam tanto assim pelas “carangas” e pela onda Elvis Presley Tupiniquim apresentada pelo até então jovem Roberto Carlos no final da década de 60. O Rock começava a decair e as letras manhosas já não acompanhavam a sede de novos horizontes musicais que Roberto apresentava até os primeiros anos da década de 70. Uma época em que o verde e amarelo do Brasil explodia em suingue negro e balanço Soul capitaneados por Tim Maia e outros grupos oriundos da zona sul carioca que começavam a se espraiar por todas as freqüências radiofônicas e regiões do Brasil.
Roberto, inquieto, bebia na fonte de influências mais “heavys” como James Brown, Aretha Franklin e demais sulistas norte-americanos do rhythm and blues, tudo isso numa tradicional lendária casa do Rio de Janeiro chamada “The Cave”, onde artistas, produtores e a casta intelectual da época, em meio à viagens licérgicas, banhavam-se na nova "galinha dos ovos de ouro" da música brasileira: a influência black.
E é nesta época que Roberto Carlos mergulha numa mistura louca e brilhante de Soul, romantismo, orquestrações magníficas e letras confessionais, que lança aquele que talvez seja o maior divisor de águas de sua carreira, primando por incursões que abraçam todas as suas influências.
“Detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes para esquecer” vociferava a faixa de abertura “Detalhes”, que já se revelava um clássico imediato. Uma música que passa anos luz do Roberto que canta funk com Mc Léozinho e analtece as gordinhas. Emocionante, épica e inesquecível.
As raízes negras já começam a pulsar no blues “Como dois e dois” , uma letra simples eficiente e sarcástica, que em sua métrica, parece passar a perna no ouvinte. Inesquecível.
Os arranjos e os metais marcam presença em quase todo o disco, sempre com letras pungentes e emocionais, como na faixa "Traumas", nunca se entregando ao pieguismo mexicano, em que entre estrofes angustiantes e confessionais, descobrimos um pouco mais do “homem” Roberto Carlos e seu tímido relato por entre frases e palavras chaves, o trauma sofrido pelo acidente que causou a perda de sua perna.
A faixa “Todos Estão Surdos” mergulha Roberto de corpo e alma no Funk e Soul suingado, com uma guitarra melódica e dando toda a base da expressão máxima da negritude do rei. Uma vocalização Gospel e uma letra cristã, que em nenhum momento parece uma evangelização barata, e sim, um exemplo de como é a transição de um jovem aspirante a Elvis Presley a um inspirado rapaz de 28 anos no auge de sua criatividade, uma verdadeira esponja cultural.
Ainda sobra tempo para deboches do tipo “I love you” em que um Roberto irreconhecível, “atua” como um crooner ao melhor estilo Nélson Gonçalves, mesclando sua voz ao estilo boêmio, contando uma história hilária sobre aceitação de um aparente “tiozão” na ala dos jovens pra “frentex”.
“Roberto Carlos 1971” é um desfile de referências e clássicos da música brasileira, que ao ouvinte mais desatento pode parecer que certas canções são um compêndio de músicas populares que nunca são perdidas pelo tempo, pois a identificação com todas elas são imediatas, pois em algum momento de nossas vidas, já nos pegamos assoviando as ditas cujas.
Mais exemplos do rei romântico encontramos em “Amada Amante”, em que Roberto nos presenteia com uma letra que de tão simples, usando palavras e elementos comuns do dia-a-dia, que é quase impossível não se emocionar.
A dúbia “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos” é outro exemplar da habilidade de Roberto em criar uma colcha de retalhos típica de canção popular, com estrofes e refrão cantadas tanto pelo mais rico ao mais pobre.
Este disco é um exemplo vivo da riqueza da música brasileira, temperada com gosto norte-americano, com cobertura de malandragem carioca. Mostra como um jovem visionário em crise existencial, cansado da inocência alienante das letras da jovem guarda, causa uma verdadeira revolução cultural no país, calando a boca de vários críticos musicais da época que tachavam Roberto de ter uma pobreza lírica alarmante, e nunca imaginariam que aquele magro rapaz de voz doce e agradável, se tornaria a maior lenda da música brasileira. Testemunhem a metamorfose musical, a simplicidade tocante, a habilidade de dialogar com o popular e o erudito, o amadurecimento do homem Roberto Carlos, e entenda porque hoje, mesmo depois de mais de três décadas, um jovem rapaz nascido em Cachoeiro de Itapemerim é chamado de Rei.
Nota: 10