quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um briefing descolado para quem sabe o que quer


Por Nilton Rodrigues


Criar um blimp e um spot com o BG da trilha do recall que está passando em high-definition na Pay Tv. O blimp tem que ser em vacum forming para que entre em looping na feira de trade. Será feito um match-print antes do deadline final. Afinal, vamos evitar refação e muitos “fuck offs” do cliente.
O blimp será transportado no pallet até o corner perto do display onde estão expostos o broadside, o botton, os sticks e uma série de outros gadjets. Lá estarão muitas bandas de british rock, melodic metal e stupid black satanism folk metal e outras que estão cheias de hype participando do nosso happy hour patrocinado pelos managers do evento. Claro, lá só estarão as bandas mainstream que afirmam ser do underground, afinal, isso é tão in.
E sobre o spot, ele deve deve estar numa tape dentro de um blister para o boy pegar no box da agência. Mas cuidem para não estourar o budget, pois ainda temos que criar o banner, stopper, backlight e outdoor com um apelo mais hard sell sem esquecer o call to action.
Qualquer dúvida, chamem o tradutor ou liguem no meu ramal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Falaram para o Estagiário em Itaipu: “Quando sair, apaga tudo”

Por Nilton Rodrigues


Brincadeiras à parte, a grande máxima do empurra-empurra se confirma: a culpa é do estagiário. Mas no caso do apagão que afetou 88 milhões de pessoas e 17 estados brasileiros, quem é o estagiário, ou se preferir, quem é o saco de pancadas?
A opcão que eu mais gosto é a dos discos voadores. Dizem que que naquela noite uma esquadrilha de naves sobrevoou o céu brasileiro, provocando uma anomalia magnética causando o apagão. Eu acredito em objetos voadores não identificados, mas também acredito em senhores-com-verborragia-barata-bem-identificados.
Basta ligar a Televisão para se deparar com uma sequência épica de empurra-empurra protagonizada pelos lideres estatais, ministros e imprensa. Difícil prever um culpado a esta altura do campeonato, embora o programa Fantástico de ontem (15/11) tenha dado uma explicação tão complexa, que faria Einstein dar um salto duplo twist carpado no caixão.
fatalidades acontecem a todo instante, e na realidade, creio que tenha sido exatamente isto que tenha ocorrido: uma fatalidade de causas naturais. Desgraça mesmo é esta mania brasileira de tentar achar um culpado a todo custo. E até o fechamento desta edição, o estagiário de Itaipu ainda tinha seu emprego.

RESENHA - Gênesis por Robert Crumb


Por Nilton Rodrigues



Sei da importância histórica de Robert Crumb para as HQ`s. Sua arte suja e desproporcional combinava com a marginalidade dos quadrinhos underground em plena época da contra-cultura, lá pelos idos dos anos 60. Mas mesmo assim, confesso que nunca corri atrás de alguma obra do artista, até hoje.
Quando foi alardeado aos quatro ventos que Crumb revisitaria o Gênesis, o Livro da Criacão, respeitando o texto original, logo me interessei, mais pela ousadia em si (acho a bíblia brilhante, liricamente falando) do que pelo nome do autor estampado na capa.
E o resultado final? Bom, quando a criatura vai à livraria comprar o Gênesis em quadrinhos, está na cara que ela busca mais que uma leitura rápida, descartável e, principalmente, fora dos padrões Marvel/Dc que permeiam as bancas.
Gênesis de Robert Crumb precisa ser consumido em doses homeopáticas, sob risco de um AVC, tamanha a densidade e informações que o texto carrega, além de uma linguagem levemente arcaica e laica, afinal, são milhares de anos, nomes, clãs familiares, linhagens, condensados em pouco mais de 200 páginas.
Um dos grandes pontos positivos da obra é a sua capacidade de transpor para os quadrinhos a carga reflexiva e épica dos textos sagrados. Por esta razão, ele deve ser lido como um romance e não como uma leitura de fim de tarde. Se você conseguir entender que Gênesis de Robert Crumb é O Poderoso Chefão dos quadrinhos e não uma mera Sessão da Tarde, já é meio caminho andado.
A arte de Crumb segue a fórmula que o consagrou: mulheres voluptuosas e "atributos" desproporcionais, muitas hachuras, e é claro, sexo. Alías, sexo é o que não falta na obra, impulsionado pelo teor bílblico não exposto claramente nos textos que conhecemos. Mas convenhamos, a depravação está lá, mas nada que justifique os ânimos inflamados dos religiosos e velhinhas carolas mundo afora.
O ponto negativo da obra não vem necessariamente dele, mas sim, do texto original. Haja memória para gravar todos os nomes e compreender a organização das linhagens bíblicas.
Enfim, Gênesis de Robert Crumb é essencial para quem admira bons quadrinhos livres de amarras e padrões. E, não custa nada dizer de novo: consuma com moderação.
NOta: 9

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Jogos Mortais e Lost: tão diferentes e tão iguais

Por Nilton Rodrigues


Antes de mais nada, quem estiver lendo esta resenha já deve ter visto Jogos Mortais VI, e por esta razão não vou falar sobre a trama. Bueno, tão esperado como todo dia 5 de pagamento, é assistir a um novo Jogos Mortais no cinema (pelo menos para mim). Bom, e chegamos a sua edição de número meia dúzia em 5 anos. O que dizer da sexta parte da franquia de horror mais lucrativa da história? Podemos responder a esta questão a partir de três óticas. A do fã, a do espectador gastronômico de cinema e a do crítico.
O primeiro sempre vai achar o filme um primor, tentando a toda prova achar uma argumentação plausível para a megalomaníaca fome de dinheiro das produtoras. O segundo é aquele que conhecemos bem: o moleque que vai ao cinema pra ver um filme “maneiro” e depois posta no orkut todo pimpão: “tá virando palhaçada meu, parece os filme do Jason”, claramente dando mais atenção ao número de filmes produzidos do que a sua qualidade em si. E o terceiro é aquele que precisa estar isento das duas anteriores, categoria a qual tento me incluir (embora fora destas linhas me encaixo mais no primeiro tipo).
O primeiro fato que devemos ter em mente é que Jogos Mortais deixou de ser um filme para se tornar um acontecimento, uma data especial. Sabemos que todo Halloween americano lá vem Jigsaw e sua turma aprontando muitas confusões. E se quer saber, acho isso muito legal desde que, obviamente, não tire o cérebro do espectador para bobinho. E é aí que começamos a análise com a pergunta que não quer calar: “O mundo ainda precisa de mais Jogos Mortais?”
E a resposta é um direto e caixa altístico SIM. Pode ser loucura da minha cabeça, mas comparo a série de filmes a Lost. onde os produtores precisam contar com a entrega do público para que o “jogo” textual proposto tenha sentido, que as respostas se encaixem e para que, principalmente, as fórmulas pré-determinadas da indústria do entretenimento sejam quebradas. Parece estranho falar em quebra de paradigmas da indústria, quando anualmente é lançado um novo filme nos cinemas, sempre rendendo oito a nove vezes o seu custo de produção. Mas é aí que o talento de contar histórias subverte os cofres inflados dos produtores.
Assim como em Lost, a mitologia de Jogos Mortais foi crescendo a cada episódio, acrescentando novos e mirabolantes twists à trama, e incrivelmente nunca perdendo sua qualidade (embora os detratores insistam em provar o contrário). Mas assim como sua prima televisiva, a saga foi perdendo a audiência e o interesse, o que é perfeitamente normal em se tratando da indústria (olha ela aí de novo) e o cansaço do espectador gastronômico. Mas no final das contas, ambas as séries estão aí, anualmente presenteando quem adora uma história bem contada, não interessando que tenha dez, quinze ou vinte episódios.
E é aí que Jogos Mortais cativa. mesmo depois de seis episódios, a história continua com o QI lá em cima, surpreendendo com uma trama, que mesmo com o seu principal personagem morto, eletrizante, dramática, com direito a discursos morais e moralistas, e muita violência gratuita (quem disse que não pode?).
Saw VI segue esta fórmula, mas a julgar pela bilheteria, a saga parece não agradar mais aos americanos (mas mesmo com a metade da arrecadação do longa anteror, já se pagou duplamente). Agora fica a pergunta: será que o próximo testado será o próprio Jigsaw e sua capacidade de sobreviver à baixa bilheteria? Let the game begins.
Ah, Jogos Mortais VI é muito legal.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O mercado de luxo

Por Nilton Rodrigues

Zoneiros, na última quarta-feira, dia 21/10, esse amiguinho que vos fala foi a uma palestra sobre mercado de luxo. Não, este post não se trata sobre o bilionário Bruce Wayne ou o fanfarrão Tony Stark. Mas é quase lá.
Para os pobretões que acessam este blog, comprar um xis galinha com ovo se configura um luxo, mas vocês não imaginam o que realmente é o Luxo, sim, com "L" maiúsculo.
O professor André Arndt discorreu sobre as diferenças da classe C e a classe A, detentora do topo da pirâmide econômica do país. Falar de carros, jóias, bolsas feitas com pelo de porco ou viagens semanais à Europa é carne de vaca quando o assunto é este fascinante mundo do mercado de luxo.
O que mais me impressionou não é o desnível social ou a má distribuição de renda num país de terceiro mundo, mas sim (pode parecer estranho para um debate acadêmico), a fraqueza e a corruptibilidade (não no sentido maquiavélico da palavra, mas modificador) do homem perente o dinheiro. Quer um exemplo? Na Ásia, existem restaurantes requintadíssimos que servem ouro para comer. Eu disse OURO. E convenhamos, quando alguém come ouro, a psique do sujeito está no mínimo abalada. É disso que estou falando. Como profissionais da comunicação, somos obrigados a gerir marcas e fazê-las desejadas, entendendo todo o complexo mecânismo de consumo da sociedade, mas quando chega na parte humana da coisa, meu lado comunicador, muitas vezes, é substituido por aquela criança que tem medo dos adultos e seus hábitos estranhos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O melhor cosplay de Iceman


Por Nilton Rodrigues

quarta-feira, 9 de setembro de 2009