segunda-feira, 31 de março de 2008

Resenha "O Nevoeiro". Não são apenas mais uns rostinhos feios na telona!


Por Nilton Rodrigues


O que não faz um fanatismo, e por quê não dizer ansiedade? Faltando menos de um mês para a estréia oficial de “O Nevoeiro” nos cinemas, filme baseado no mega conto de Stephen King “The Mist”, não agüentei ao ver aquele DVD oriundo do submundo dos Torrents, sendo vendido ali no calçadão a preço de banana.
Prometo ao amigo Zoneiro que verei a película no cinema, até porque tenho ótimas razões para isso.
Bueno, quando li o conto lá pelo final dos anos 90, achei (perdoem-me o pleonasmo) um achado. Com um forte teor sanguinolento, primando pelas relações humanas como um cenário para o horror, personagens cativantes, isso entendam como irritantes, cheios de personalidade, estúpidos, machistas, enfim, uma pluralidade de personas que só Stephen King poderia fazer uma salada disso tudo e sair no mínimo, digerível. Além de ser um conto que representa toda a influencia do autor dos clássicos da Ficção Científica dos anos 50 e 60, no auge da paranóia atômica e um “quê” de espírito das matinês de filmes feitos pelas mãos do mestre dos efeitos especiais Ray Bradbury. Um prato cheio para uma adaptação, mas não qualquer adaptação, visto que o tema é uma linha tênue entre o espetacular e o tosco. Felizmente quando ouvi que Frank Darabont estaria na produção, fiquei mais faceiro que pinto em lixão, basta se deliciar com “A espera de um milagre” e “Um sonho de liberdade”, ambos contos de King, sinal que o rapaz tem uma boa intimidade com a obra do escritor.
A história vocês provavelmente já conhecem: um misterioso nevoeiro cobre uma cidadezinha, e a galera que estava dentro de um supermercado naquele momento fica em cativeiro, e pior, quando monstros esquisitos surgem da bruma devorando a todos que ousam escapar. Uma premissa simples, que sabiamente Darabont soube explorar os dramas humanos, que alias, é o chamariz principal do filme, tornando os monstrengos apenas um “background” para toda a ação acontecer. O expectador consegue visualizar frame a frame a “involução” do Ser Humano quando submetido a situações de sobrevivência, levando muitas vezes à loucura, ao homicídio e a quebra de valores ditos socialmente aceitos. No filme conseguimos notar toda a nuance psicológica de cada personagem ao encarar um fato inimaginável: o sobrenatural acontecendo frente aos olhos de dezenas de pessoas de diversos credos, tudo isso torna o filme mais verossímil e cativante. O espectador consegue se afeiçoar por esse ou aquela personagem, um fato louvável, visto que nas atuais produções cinematográficas, quando se insere quatro ou mais personagens no núcleo principal, não conseguimos sequer distingui-los. Tudo flui magistralmente no filme, principalmente a evolução da loucura daqueles que teoricamente seriam um dito cidadão comum. Os monstros são nojentos e o sangue está lá. O final do filme, meus amigos, diga-se de passagem, diferente do conto, ouso dizer que supera a obra de papel, é um dos finais mais macabros e inusitados, daqueles que deixa até mesmo o maior cinéfilo de boca aberta. Simplesmente um filme surpreendente e um dos melhores exemplares de cinema fantástico feito pela indústria “mainstream” dos últimos anos.
NOTA: 10