quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Resenha CELULAR de Stephen King (o livro, não o aparelho, porra!)


Por Nilton Rodrigues



Stephen King é um cara estranho. E não estou falando isso simplesmente pelos óculos fundo de garrafa e cabelinho de gambá atropelado do cara, mas porque fazia alguns anos que ele sofria de uma doença que afetava o Tico e Teco daquela cabecinha doentia: Auto-plágio. É impressionante que livros recentes (leia-se traduzidos para nossa pátria amada Brasil, seus madafacas!) como “Buick 8” e dezenas de outros contos tentavam repetir sem sucesso as fórmulas consagradas de “Christine” e “O Iluminado”. Mas como quem é rei “King” (putz!) não perde a majestade, está chegando em todas as livrarias, comic shops, estantes, cestas de banheiros e gavetas de criado-mudo de casas da praia, CELULAR, a mais nova obra do Kingão. E digo uma coisa: O cara está irreconhecível. E isto é bom em se tratando dos últimos lançamentos.
Sangue, muito sangue, caos e destruição. Claramente inspirado pelas obras “zumbísticas” do seu amigo e também figuraça George Homero, King nos presenteia com uma história de zumbis que tem tudo aquilo que os apreciadores do gênero gostam, mais uma pitada de psicodelia futurista que só ele pode nos dar.
Tudo começa quando um misterioso pulso proveniente dos celulares atinge todo mundo que estava falando naquele momento, transformando a todos em seres primitivos que só pensam em matar e destroçar tudo o que tem pela frente. Isso basta para servir de pano de fundo para um drama familiar e demais sentimentos como drama, sofrimento, solidão e redenção. Nas primeiras vinte páginas o caos já está instaurado na trama. Sua narrativa é crua e as vezes arrastada, criando um clima perfeito para a sensação de vastidão que permeia o livro. E novamente como é característica de King, ele se mostra um profundo conhecedor da cultura norte-americana, soberbamente retratada nas atitudes e psique de cada personagem da obra.
Tenho visto muitos zoneiros reclamando do final do livro, ora meus amiguinhos, estrutura narrativa certinha só mesmo as novelas da Globo, lá sim vocês podem esperar um final bem fechadinho, com direito a casamento e lua-de-mel em Paris com a musica do Rod Stewart ao fundo. Aqui nada tem explicação, mas afinal de contas, somos obrigados a saber tudo? Ou especular não torna o fim do mundo mais apocalíptico?
Stephen King não se preocupa em responder, e muito menos deixar seus personagens com final feliz. Ou você acredita que num mundo dominado por zumbis, a vida seria cor-de-rosa?
Outros elementos como psicologia Freudiana, conspirações tecnológicas e paranóia terrorista tornam este livro indispensável para quem achava Stephen King o charlatão do terror.
Nota 8

Um comentário:

max disse...

a real é que já faz mais de ano que foi lançado né...e eu li a uns 6 meses..mas tudo bem!! é bem legal...mas é cliche...leia Lisey's Story!!