segunda-feira, 27 de abril de 2009

RESENHA - Flight 666


Por Nilton Rodrigues


Falar de Iron Maiden é falar do seu pai, de um familiar querido, da sua namorada ou qualquer um que sempre esteve com você em momentos cruciais de sua vida. Ao ver Flight 666, documentário sobre a banda inglesa em cartaz nos cinemas em horários nada convencionais, o sentimento que passa é de uma estranha sensação de nudez. Pois descasca de forma justa e verossímil toda a importância que a banda inglesa tem nos corações de seus fãs.
É impossível não se emocionar com um rapaz que chora compulsivamente ao ter a baqueta de seu ídolo. Exagero? Não. É e desconstrução do mito sessentista de idolatria. São momentos de melancolia e êxtase que a arte têm na vida das pessoas, tudo isso sinceramente travestido de lágrimas.
È impressionante notar o frisson que a banda provoca por onde passa. E o mais incrível, sem o apoio da mídia especializada, configurando-se num raro exemplo de qualidade justificada apenas pela qualidade.
Em termos de linguagem, Sam Dunn, diretor do documentário, desenvolve uma narrativa unilateral, com foco na banda e seu esmero em completar um número absurdo de shows em tempo recorde através de seu Boing customizado, o Eddie Force One, fugindo de fórmulas pré-estabelecidas de conotações cênicas, como se o grupo fosse um bando de arcanjos intocáveis. Mas assim como azeite e água, é impossível não falar de fãs quando o assunto é Iron Maiden. E é aí que percebemos a alma do filme, o ponto de gravidade que sustenta não só a película, mas sim todo o Iron Maiden way of Life: paixão.
E não é difícil descobrir porque a banda é reverenciada por jovens de todas as idades através do globo. Além de uma temática lírica completamente avessa ao mainstream da indústria, com letras calcadas em grandes obras da literatura e cinema, como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e O Nome da Rosa de Umberto Eco, só para citar algumas, Iron Maiden é sinônimo de perseverança e, desculpem-me pelo clichê, de luta pelos seus sonhos.
Steve Harris, lider e baixista da banda é a força motriz por trás da máquina Iron Maiden, é nele que reside o status quo do grupo. Analisando sua história, descobrimos que o inglês é exemplo de gerenciamento, força de vontade e amor pela arte.
Iron Maiden nunca vai figurar entre as mais pedidas da rádio, entre os clipes mais votados e os mais clicados da revista de fofoca do mês, mas impressiona pela longevidade com ritmo às avessas. A cada década que passa, melhores, mais fãs carregam e mais experientes ficam, indiferente do que os saudosistas e até a mais recente turnê tentam afirmar.
Para finalizar, Flight 666 é o evangelho em celulóide de uma das maiores bandas de todos os tempos. Banda que rejeita rótulos, que desconstrói o mito de rockstars e felizmente carrega a bandeira que apesar do que o mercado tenta ditar, a verdadeira atitude desprovida de estereótipos e a música com qualidade ainda vão perseverar daqui para eternidade.
E quando você morrer e deixar este planeta, alguém lá em cima vai perguntar para você quem você amou neste mundo. E você vai responder: meus filhos, meus pais, minha esposa, seis ingleses de meia idade e um mascote-zumbi chamado Eddie. Exagero? Não, é só Iron Maiden.
Nota: 10

Um comentário:

Rodrigo disse...

"E quando você morrer e deixar este planeta, alguém lá em cima vai perguntar para você quem você amou neste mundo. E você vai responder: meus filhos, meus pais, minha esposa, seis ingleses de meia idade e um mascote-zumbi chamado Eddie. Exagero? Não, é só Iron Maiden."

Não precisa falar mais nada...